sexta-feira, 27 de julho de 2007

 

devagar e sempre....

"Não tenha medo de crescer lentamente. Tenha medo de ficar parado.


Provérbio Chinês


Agora, pense e responda francamente:

Sua vida se move devagar?
Não se preocupe com a velocidade com a qual as coisas acontecem. Preocupe-se primeiro com a direção.
Busque seu sonho e continue caminhando, continue avançando, dia após dia.
Velocidade só importa quando a direção esta certa.
E você, no fundo, sabe qual a direção certa.

Direção é MUITO mais importante que velocidade


quinta-feira, 26 de julho de 2007

 

"güela" abaixo!!!!


esse incinerador ficava em frente da minha casa!!!
(que fica a esquerda do muro)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

 

cuidado!!!!

..aqui estão meus mini-queijos com goiabada.



ESSES SÃO MEUS MINI-QUEIJOS, as forminhas
...e as goiabadinhas, que corto com o cortador de inox, do lado da bandeja.

Cuidado

Uma vez, uma pessoa querida, me disse:- Antes de dizer quem você é, mostre o seu trabalho.
...então, aqui está.






Cuidado com Multinacionais!

O "progresso" que elas trazem, pode custar caro!!

Vigie, sempre, e cobre do Município e das Autoridades Competentes(?) a fiscalização e o esclarecimento do que elas vão fazer ali.



sábado, 21 de julho de 2007

 

MINI-QUEIJO!!!!


A DIÁRIA DO HOTEL SUBIU!!!!
...A SHELL VAI GASTAR MAIS AINDA CONOSCO...
... O DINHEIRO QUE ELA GASTOU COM HOTEL JÁ DARIA PARA COMPRAR A CHÁCARA QUE ESCOLHI, AQUELA QUE É DO TAMANHO DA MINHA, COM UM POMAR EQUIVALENTE AO MEU E COM A CASA SIMPLES, COMO A MINHA.
ACHO QUE DARIA PARA COMPRAR MAIS DE DUAS CHÁCARAS...
...MAS ELA QUER PISAR NA GENTE...


foto dos queijinhos antes de virar na forma.
VOLTEI FAZER MEUS MINI-QUEIJOS. ACHEI UM SENHOR QUE VENDE UM LEITE EXCELENTE. (no bairro Bom Retiro)
AS VACAS SÃO SADIAS, O LEITE É PURO, LIMPO E FORTE (como o das minhas vacas).
com 5 litros fiz os mesmos 30 mini-queijos com goiabada, que fazia com o leite das minhas vacas.
foto dos queijinhos depois de virar na forma.

Um dia, rodando pela cidade, procurando chácaras com placas para vender, passei por uma onde tinha uma placa dizendo:-" VENDE LEITE E QUEIJO."
... entrei, comprei 2 litros, eu queria fazer coalhada síria (deliciosa!!).
O leite era de excelente qualidade, limpo, puro e forte.
...fiz a coalhada e me deliciei, matando as saudades do tempo que eu tinha coalhada com fartura lá em casa.
...depois desse dia voltei comprar mais leite lá; para fazer coalhada, para beber com café, para matar as saudades...
Na semana passada comentei com a Marlene, que estava com vontade de fazer uns queijinhos com esse leite.
Ela gostou da idéia.
Comentei com a dona do escritório de DESPACHANTE KADETT, amiga antiga e assídua fregueza de mini queijo e ela, na hora, falou:- "Eu quero."
...acho que vou voltar fazer meus queijinhos de novo...
PELO MENOS PARA MINHA FAMÍLIA E AMIGOS,
...no começo vai ser difícil vender, por causa da "sombra negra", que a contaminação da Shell deixou em cima de tudo que vem do Bairro (eu) que ela contaminou, e muita gente poderia achar que o leite é das minhas vacas, mas acho, que devagar eu consigo passar por cima disso.
MAS PARA MEUS AMIGOS É DIFERENTE.

MEUS AMIGOS SABEM QUE EU NÃO SOU COMO A SHELL.


ELES SABEM QUE EU JAMAIS OFERECERIA OU PERMITIRIA QUE ALGO CONTAMINADO FOSSE CONSUMIDO POR QUEM QUER QUE FÔSSE.




ESSA É UMA JABOTICABEIRINHA "BONSAI" QUE COMPREI NO
SUPERMERCADO JUNIOR.
Vou planta-la no chão e ela vai ficar grande.
Tenho que comprar logo uma chácara para mim para poder plantar essa e outras árvores frutíferas, para deixar para meus filhos e netos, como meu pai fez e plantou para mim.
... SÓ ESPERO QUE A SHELL/CYANAMID/BASF OU OUTRA MULTINACIONAL DE MERDA QUALQUER, não DESCUBRA PARA ONDE EU FUI E ACABE COM TUDO DE NOVO!!!!!!!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

 

SAUDADES!!!!

TÚNEL ....
ESCREVI ISSO, ABAIXO, EM ABRIL DE 2006.
Hoje, relendo, descobri que essa falta está cada vez maior.
...e como dói!!!!!
Sabe do que sinto falta?
- do barulho da chuva caindo no telhado!
- do cheiro da terra molhada quando começa chover!
- do cheiro da cocheira das vacas!
- do barulho das vacas fazendo xixi ( faz "chuááááááá")!!!
- do barulho da vacas fazendo cocô (faz "plaft, plaft, plaft")!!!
- dos meus cachorros latindo e abanando o rabo pra mim!
- dos meus gatos miando e se esfregando na minha perna!
- sinto falta de abrir a geladeira e olhar o que tem, dentro, de gostoso!
- de levantar a tampa da panela e ver se comeram tudo (porque estava gostoso)!
- saudades de perguntar, pra todos, que comiam em casa, se estava bom!
- saudades de fazer "mils" geléias, doces, queijos, bolos, pães, tortas, pizzas, licores e etc., encher a mesa, para servir quem chegasse em casa e depois ficar "toda toda" me deliciando com os elogios, que eram muitos (todo mundo gostava de tudo que eu fazia)!
- sinto falta de andar pela casa!
-de ir na sala,
nos quartos dos meninos,
no meu "ateliê",
no meu quarto,
de sair na porta da cozinha e ver o cajueiro, o pé de lichia,
a casinha dos bezerros,
a cocheira, os mamoeiros bem na porta
(da porta da cozinha eu via e sentia o cheiro de tudo isso...)
- sinto falta de pôr e tirar a roupa do varal (coisa que eu odiava)!
- sinto falta de ...
- sinto falta... de existir!!!
sinto... pela falta de dignidade da Shell...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

 

GADO, LEITE X CANA

Ontem, no supermercado, vi e ouvi, os comentários e a indignação das pessoas quando viam o preço do leite.
A amiga que estava comigo, comentou:- é por causa da seca!, do inverno, acaba o pasto!(essa amiga minha foi criada no sítio, mas hoje vive na cidade)
Eu dei risada e disse:- Que seca, que nada!! todo ano tem seca e o preço do leite e da carne não sobe desse jeito!!
O QUE ACONTECE É QUE ESTÃO ACABANDO COM OS PASTOS E COM O GADO PARA PLANTAR CANA !
Como eu já escrevi nesse blog e depois apaguei, mas muita gente leu, é que, PRA MIM, "plantaram" a aftosa no Brasil, só para ACABAR COM O GADO e plantar cana para fazer o alcool servir a corja DE BUSH E BLAIR. (se é que foi verdade a "epidemia/surto" de aftosa no Brasil, para mim foi tudo golpe)

JÁ FALEI TAMBÉM, HÁ MAIS DE ANO,
QUE O QUE OS CANALHAS, BUCH, BLAIR E CORJA, FIZERAM E ESTÃO FAZENDO NO IRAQUE, POR CAUSA DO PETRÓLEO ELES IRÃO FAZER NO BRASIL POR CAUSA DA ÁGUA.

MENOS GADO, MENOS PASTO E MAIS TERRA PARA PLANTAR CANA!!
E
MENOS OFERTA DE LEITE E CARNE!!!!
E QUANDO A PROCURA É MAIOR QUE A OFERTA??
"PAU" NO POVO!!!

E A ÁGUA???
FUTURO SEM ÁGUA???
ECONOMIZEM ÁGUA PARA NÃO FALTAR!!!
NÃO FALTAR PRA QUEM???
NÃO FALTAR PARA AS MULTINACONAIS CONTAMINAREM?
ECONOMIZAR POR QUE???
PARA NÃO FALTAR PARA TODOS E PARA FUTURAS GERAÇÕES?
OU
...


sexta-feira, 13 de julho de 2007

 

...PASSEANDO "PELAÍ"... no rastro da SHELL











2101 é o nº da minha chácara.


o ponto PM11 é na minha propriedade, a menos de 40 metros do meu poço, daonde
usamos a água para todos os fins.

















 

cont. de ontem...

click na imagem que ela fica grande e dá para ler tudo.
Essa é uma página do último
Relatório de Áreas Contaminadas do Estado de S.Paulo, da CETESB.
de maio de 2006.(vou procurar a de nov. de 2006.)
achei a página de novembro de 2006, ela é igualzinha a de maio e resolvi não colocar aqui, é desnecessário.

O endereço da minha(?) chácara é Av. Roberto Simonsen nº 2101.

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..ontem eu parei de escrever, antes de explicar o porque da minha "indignação" por ter que pagar aluguel, mesmo tendo uma propriedade, então explico:-
é que minha mãe, de 86 anos, morava, comigo, na nossa chácara no Bairro Recanto dos Pássaros, chácara e local interditados etc etc. , por causa da contaminação da Shell/Cyanamid/Basf, etc. etc., e hoje, além termos que pagar aluguel, em Campinas, para ela, eu tenho que pagar aluguel de um local para poder trabalhar (sou, entre outras coisas, artesã), coisa que nunca precisamos, pois na NOSSA CHÁCARA(?), tínhamos espaço e acomodação para tudo que precisávamos e precisássemos, inclusive, eu tinha vacas de leite e etc. (vocês devem ter visto as fotos nesse blog) e, hoje, minha revolta está maior ainda, minha mãe não está bem de saúde, até entrou em depressão, pois se viu sem chão, sem teto, sem nada do que foi construído e deixado para ela e para seus filhos e netos! e não pode voltar morar no que é dela, junto com a família.
...eu, antes da Shell destruir minha chácara e vida, nunca soube o que era ter que pagar aluguel!!
...sei que todos lutam para sair do aluguel e eu apesar de ter propriedade tenho que pagar aluguel para poder viver decentemente, pois vida de, e em, hotel é humilhante, se é que se pode chamar de vida.
Em Campinas, minha minha neta, Tatiana, mora com minha mãe, para que ela não fique só, mas a saúde da minha mãe piorou, tanto física como psicológicamente, e como minha neta trabalha e estuda a situação ficou insustentável; por isso estou procurando uma casa aqui em Paulínia para trazer minha mãe. Daí eu entrego os cômodos, que alugo, onde montei meu ateliê, nos fundos da casa da Marlene e pago o aluguel de uma casa com mais espaço e dependências para as duas coisas. Terei que contratar uma pessoa para me ajudar cuidar dela, pois eu não daria conta sozinha, já que tenho que trabalhar para complementar a "renda".
...paro por aqui, estou muito confusa e desnorteada, nem sei se expliquei direito o que acontece e o que pretendo fazer...
...se eu, com 61 anos, estou completamente perdida e decepcionada com os acontecimentos e com a justiça/leis, que ao invés de pudir o predador, está, com a demora de uma decisão, destruindo as vítimas, imaginem a minha mãe com 86, despejada, jogada feito lixo da sua propriedade, do seu chão, do convívio com a família, numa idade em que ela mais precisa de tudo e de todos.
MAS, INFELIZMENTE, ISSO A GENTE ESTÁ VENDO, TODOS OS DIAS, POR ESSE MUNDO AFORA.
...SÓ QUE EU NÃO VOU DESISTIR...
...EU VOU BRIGAR ATÉ O FIM.
POSSO MORRER, MAS MORRO LUTANDO.
ALGUMA COISA TEM QUE MUDAR.



quinta-feira, 12 de julho de 2007

 

NÃO ME CONFORMO!!!!!!!!

Vou tentar explicar, rapidinho, minha indignação:-
TENHO casa, uma boa chácara, aliás, e, apesar disso, tenho que pagar aluguel!!!
..é certo que moro em um hotel, pago pela Shell, que, obedecendo uma ordem JUDICIAL, foi obrigada me (nos) "remover" da NOSSA CHÁCARA, EM VIRTUDE DA CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL DE SOLO (DAONDE COLHÍAMOS TODAS AS NOSSAS FRUTAS, VERDURAS E LEGUMES E ETC.) E LENÇOL FREÁTICO (DAONDE TIRÁVAMOS TODA ÁGUA QUE CONSUMÍAMOS), causada por ela, POR SUAS SUCESSORAS, A CYANAMID E BASF E COM A OMISSÃO DE TODOS OS ÓRGÃOS COMPETENTES(?) DESSA CIDADE, A CIDADE DE PAULÍNIA.
NA ÉPOCA (ano de 2000) EM QUE O CASO DA CONTAMINAÇÃO FOI TRAZIDO A TONA, MINHA MÃE, QUE MORAVA COMIGO, FICOU ASSUSTADA e quis sair de lá, inclusive, com a intenção de fazer com que eu e meus filhos saíssemos também, só que eu não acreditava na contaminação!!!
...eu não conseguia fazer entrar na minha cabeça, que a Shell fosse capaz de fazer uma coisa dessas!!! EU CONFIAVA NA SHELL, COMO PEDIA O SLOGAN DELA QUE DIZ:
- VOCÊ PODE CONFIAR NA SHELL!!
Inclusive há reportagens, de e em vários jornais, onde dizem que uma moradora não queria sair do local, porque não acreditava na contaminação.
...essa moradora era EU!
NA MINHA NOÇÃO DE GENTE, ISSO É INCONCEBÍVEL!
ATÉ HOJE, PRA SER SINCERA, AINDA NÃO CONSIGO ACREDITAR PIAMENTE, EM TUDO QUE VEIO E ESTÁ VINDO À TONA, DESSA CONTAMINAÇÃO, DESSE CRIME.
CRIME CONTRA O MEIO AMBIENTE, CRIME CONTRA O PATRIMONIO, CONTRA A VIDA, CONTRA O BRASIL!! (ou seria BRAZIL?)
...MAS VOLTANDO À VACA FRIA...

DEPOIS EU VOLTO E CONTO PORQUE TENHO QUE PAGAR ALUGUEL AQUI EM PAULÍNIA.
TENHO QUE SAIR URGENTE.
ATÉ...

terça-feira, 10 de julho de 2007

 

Matéria do Site dos Químicos Unificados

Shell

Outubro / 2005

Depoimentos agravam as denúncias do caso Shell - Ex-funcionários dizem que há indícios de que contaminação é antiga

Ex-funcionários dizem que há indícios de que contaminação é antiga

Reprodução na íntegra de reportagem publicada dia 23 de outubro de 2005, no jornal TODODIA, de Americana

Depoimentos agravam as denúncias do caso Shell


Ex-funcionários dizem que há indícios de que contaminação é antiga

Paulo San Martin - Região

Uma série de depoimentos sigilosos prestados ao Ministério Público do Trabalho, em Campinas, por ex-funcionários da fábrica da Shell Química e da Basf, que funcionava no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, traz uma profusão de indícios de que a direção da fábrica ocultou deliberadamente, por muito tempo, as condições de contaminação do ar, do solo e da água da região, colocando em risco não só a saúde dos trabalhadores e dos moradores de áreas vizinhas, mas também milhares de pessoas que utilizam as águas do Rio Atibaia para o consumo.

Segundo depoentes, algumas práticas sistemáticas descumpriam as normas mínimas de segurança exigidas para o manuseio das substâncias altamente tóxicas utilizadas na fábrica, e eram ocultadas durante as fiscalizações periódicas realizadas pelo Ministério do Trabalho e por órgãos ambientais. “Há evidências suficientes aqui para que se reabra completamente a história do chamado Caso Shell”, avalia o advogado Mário Ferreira Júnior, que conduz na Justiça mais de cem ações de indenização movidas por ex-funcionários contra as duas empresas.

Os depoimentos foram realizados ao longo dos meses de outubro e dezembro do ano passado e a maior parte deles foi mantida em sigilo por determinação dos próprios procuradores que os colheram. O objetivo dos depoimentos é realizar uma amostragem abrangente das reais condições que imperavam na fábrica, e por isso os procuradores selecionaram para depor ex-funcionários de praticamente todos os setores da empresa, da operadora de PABX ao químico responsável por algumas seções. Os depoentes têm os mais diversos níveis de instrução e informações sobre os mecanismos operacionais internos.

ÁGUA CONTAMINADA

Praticamente todos os 11 depoimentos obtidos pelo TodoDia relatam que a contaminação da água utilizada para o consumo do pessoal da fábrica já era evidente deste o início da década de 1980. A ex-funcionária Benedita Mary de Andrade, que trabalhou como operadora de telex e depois telefonista, entre 1979 e 1985, relata que todos reclamavam do cheiro e gosto da água, mas que ela “só teve mais intensa percepção” do problema no período em que ficou responsável pelo contrato do restaurante.

A água era utilizada no preparo do alimento, do café e dos sucos consumidos pelos trabalhadores. Segundo Benedita Mary, a cozinheira responsável pelo restaurante “tinha que chegar mais cedo todo dia, para abrir as torneiras da cozinha até a água clarear, pois a primeira água que saía pela manhã era preta, escura, semelhante a café”. Ela relata que objetos de metal deixados na água também adquiriam uma crosta escura e diz que vários funcionários que tentaram conversar sobre o problema com as chefias foram transferidos e demitidos, como foi o caso dela.

“A questão da água, neste caso, é fundamental, porque ela está na origem de todas as denúncias que deram início ao caso Shell”, lembra o ex-funcionário Edson Peixoto, que começou a trabalhar na fábrica com 15 anos, foi demitido em 2002, e hoje cursa o último ano de Direito e auxilia seus ex-colegas em ações judiciais de indenização movidas contra a Shell e a Basf.

Só em 1998 a Shell admitiu publicamente, por força de ação em curso no MPE (Ministério Público Estadual), que havia contaminação da água em chácaras vizinhas. “Mas, por estes depoimentos, vemos que são muitas as evidências de que a empresa sabia da contaminação há muito tempo. Isso mostra que a empresa agiu de forma dolosa e permitiu o consumo sistemático de água contaminada por trabalhadores e vizinhos”, diz Peixoto.

Vários depoimentos relatam ainda situações de acidentes com tambores de substâncias tóxicas e também de lavagem de equipamentos nos quais os produtos eram lançados diretamente na rede fluvial, no esgoto e no solo. O auxiliar de produção Antonio Baltazar dos Santos, que trabalhou na fábrica entre 1977 e 2002, relata que os “acidentes e incidentes” com produtos químicos eram freqüentes” e que, quando eles ocorriam, a limpeza era feita “com panos e mangueira d’água, com destinação final para o sistema de drenagem pluvial”.

Químico denuncia poluição do ar

A mesma relação de ocultamento que, segundo os depoimentos, ocorria com as evidências de contaminação da água também é relatada pelos ex-trabalhadores em episódios de contaminação do ar. O químico Edson Santos Silva, que trabalhou entre 1995 e 1997 na fábrica da Shell Química no bairro Recanto dos Pássaros, na formulação de produtos tóxicos como o Aldrin e Azodrin, revela que as áreas de produção tinham “uma exaustão que não era adequada, que as exaustões de todas as capelas não eram adequadas e que somente foram corrigidas” depois que a fábrica passou para o controle da Cyanamid, por volta de 1998. De acordo com ele, a falta de controle das substâncias que contaminavam o ar “propiciava a emanação de gases e vapores para todas as demais dependências” da fábrica.
Ainda segundo Silva, “os gases e vapores exauridos pelas capelas eram eliminados por dutos que iam para fora do laboratório, no teto, e liberavam diretamente para a atmosfera, sem qualquer sistema de filtros”. De acordo com depoimentos, gases exalados do laboratório iam diretamente para o restaurante e para o ambulatório, sem nenhum controle.

O Operador V da Unidade de Formulações da fábrica, Audlei José de Souza, que trabalhou de 1989 a 2002, relata em seu depoimento que a partir de 1995, diante das freqüentes reclamações de moradores vizinhos por causa do forte odor que exalava por toda a região, a direção da fábrica determinou que fossem colocadas nas saídas dos exaustores vasilhas com óleo de pinho, para mascarar o cheiro. “Tal tipo de prática perdurou até a implantação do sistema de filtros de carvão ativado, mais ou menos em 2000”, relata ele.

EMPRESA NEGA

A direção da Basf negou, em uma nota enviada para o TodoDia por intermédio de sua assessoria de imprensa, as irregularidades relatas nos depoimentos. “Estas informações não procedem, pois este não é o procedimento da Basf. A fábrica da Basf sempre operou com todas as licenças necessárias e não tem conhecimento de nenhum processo neste sentido, ou seja, de operar com irregularidades e esconder evidências durante as fiscalizações”, afirma a empresa.

A Shell, também por intermédio de sua assessoria de comunicação, enviou ao TodoDia a seguinte nota: “Com referência às questões apresentadas por essa redação a respeito de depoimentos de ex-trabalhadores, a Shell esclarece que o fórum escolhido por eles para esse assunto foi a Justiça. A Shell respeita a decisão e, a partir de então, só trata o assunto no fórum escolhido.”


 

DESDE A DÉCADA DE 70!!!!!!!!!




Campinas, 17 de janeiro de 2002

COMUNICADO À IMPRENSA

Basf descumpre determinação da DRT, nega-se a realizar exames

médicos em seus trabalhadores, é autuada por duas vezes.

Trabalhadores se reúnem para decidir mobilização e divulgarão

informações em entrevista coletiva à imprensa no dia 20 próximo

(segunda-feira).

Caso de contaminação ambiental produzida pela Shell Brasil S.A. será

relatado à ONU - Organização das Nações Unidas.

Por se recusar a realizar exames no estado de saúde de todos os seus

trabalhadores, conforme determinação da Delegacia Regional do Trabalho, a

multinacional alemã Basf S.A. foi autuada imediatamente pelo órgão do

Ministério do Trabalho. A recusa da empresa bem como a autuação ocorreram

em reunião realizada no dia 15 de janeiro na SEDDMA – Secretaria de Defesa e

Desenvolvimento do Meio Ambiente, da Prefeitura do Município de Paulínia/SP,

na qual estavam presentes médicos do Ministério Público do Trabalho, da

Secretaria do Meio Ambiente de Paulínia, da Secretaria de Saúde de Paulínia,

dirigentes da Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, o

advogado do sindicato, o corpo médico da Basf, representantes da direção da

Basf na América Latina e comissão de trabalhadores da empresa. Essa é a

segunda autuação que a multinacional recebe em menos de dez dias, já que no

dia 07 de janeiro, por se recusar a permitir a entrada de dirigentes sindicais

para acompanhar e fiscalizar o cumprimento de preceitos legais e

regulamentares sobre segurança e medicina no trabalho em sua planta em

Paulínia, em um frontal desrespeito a Normas da OIT – Organização

Internacional do Trabalho das quais o Brasil é signatário, havia recebido um

auto de infração emitido também pela DRT (em anexo).

Trabalhadores farão reunião para decidir caminhos

Os 162 trabalhadores da Basf S.A. de Paulínia, demitidos arbitrariamente, se

recusam a assinar a rescisão contratual amparados pela lei que ordena que a

multinacional realize os exames médicos determinados pela DRT quando de sua

interdição, ocorrida em 26 de dezembro, motivada por contaminação ambiental

e humana produzida no local pela Shell Brasil S.A. que anteriormente ocupava

essa planta industrial. Conforme a legislação, enquanto perdurar essa interdição

todos os trabalhadores não podem ser demitidos e possuem seus direitos

assegurados. Além dessas 162 demissões de trabalhadores diretos, o

encerramento das atividades decidido pela Basf S.A. provocou o fechamento de

mais 200 postos de trabalho contratados a empresas terceiras.

Para decidir quais rumos tomar na mobilização de seus direitos (trabalhistas e

de saúde), os trabalhadores da multinacional estarão reunidos no dia 20 de

janeiro, a partir das 09:00 horas, na subsede de Paulínia da Regional de

Campinas do Sindicato dos Químicos Unificados.

Coletiva à Imprensa

Para divulgar suas decisões e plano de mobilização, além de esclarecer à

população o que realmente ocorria no interior da empresa, a versão que lhes

foi contada sobre a contaminação no local, as promessas feitas e não

cumpridas e a realidade em que agora se encontram, logo após essa reunião

esses trabalhadores estarão à disposição da imprensa para uma entrevista

coletiva. Essa coletiva terá início às 11:00 horas do dia 20 de janeiro (segundafeira),

na subsede de Paulínia da Regional de Campinas do Sindicato Químicos

Unificados, localizada na Rua Brigadeiro Tobias nº 103, Jardim Calegari, em

Paulínia/SP. Nela estarão presentes, além dos trabalhadores, dirigentes do

sindicato e o advogado da entidade.

Caso Shell na ONU

No último dia 16, a Comissão de Ex-Trabalhadores da Shell e diretores do

Sindicato Químicos Unificados reuniram-se com a Dra. Eleonora Menicucci de

Oliveira, Relatora Nacional para o Direito à Saúde do Projeto Relatores

Nacionais em Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais, para relatar o

caso de contaminação ambiental produzida pela Shell Brasil S.A. e suas

conseqüências na saúde dos trabalhadores. O objetivo é elaborar um relatório

analítico e propositivo sobre a realidade encontrada em relação aos direitos

específicos e investigar situações de violação aos direitos humanos. O Projeto

Relatores Nacionais em DhESC tem como parceiros a Plataforma Brasileira de

Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais

(http://www.dhescbrasil.org.br) , o Programa das Nações Unidas para o

Voluntariado (http://www.unicrio.org.br/Voluntariado.cfm) e a Secretaria de

Estado dos Direitos Humanos (http://www.justica.gov.br/sedh/ ).

Para maiores informações, favor contatar:

* Secretaria de Imprensa da Regional de Campinas do Sindicato Químicos

Unificados, pelo fone (019) 3231.5077 – ramal 17.

* Subsede de Paulínia, pelo telefone (019) 3874.1911.

* Dirigente sindical da região, pelo rádio (019) 7850.1727.

* Sítio do Sindicato Químicos Unificados na internet,

www.quimicosunificados.com.br , no qual se encontram todas as informações

sobre esse caso Basf S.A. (encerramento de atividades e interdição pela DRT) e

da contaminação provocada pela Shell Brasil S.A. (que provocou a

contaminação ambiental na área).

Anexos:

1 - Auto de infração emitido pela Delegacia Regional do Trabalho.

2 - Carta-credencial apresentando os Relatores do Projeto Relatores Nacionais

em DhESC

3 - Foto da Audiência na Procuradoria Regional do Trabalho - 15ª Região, com

a presença do Ministério Público, representantes da Basf, Kraton, Prefeitura de

Paulínia e Sindicato Químicos Unificados

Selma Quinália e Edo Cerri

– assessoria de imprensa do Sindicato Químicos Unificados

quimicosunificados@terra.com.br


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Podrían enjuiciar a Shell en Brasil


Por Mario Osava*

Responsabilizan a la compañía anglo-holandesa de contaminar con residuos peligrosos, incluidos algunos cancerígenos, a habitantes del municipio de Paulinia, en Sao Paulo, donde estas sustancias invadieron las aguas subterráneas.

RIO DE JANEIRO.- Los 181 habitantes de un barrio del municipio brasileño de Paulinia, situado a unos 120 kilómetros de Sao Paulo, aguardaron con ansiedad durante más de un mes los resultados de unos exámenes toxicológicos.

Finalmente, el Centro de Toxicología de la Universidad Estadual de Sao Paulo concluyó lo que temían: que cerca de 80 por ciento de ellos presentaron contaminación crónica por residuos industriales en diversos grados.

Las aguas subterráneas del barrio “Recanto de los Pájaros”, formado por un grupo de 60 casas, fueron contaminadas por una planta química de la empresa
Shell. Los contaminantes orgánicos persistentes (COP) y metales pesados que invadieron las aguas subterráneas del barrio son causa de cáncer y de graves daños a los sistemas nervioso, inmunológico y reproductivo.

La eliminación de los COP es incluso el objetivo de una convención que 90 países firmaron hace dos meses en Estocolmo.

"Mi suegra murió de cáncer, mi mujer también desarrolló tumores cancerígenos, así como mis perras, y nadie podrá asegurarme que la causa no fue la contaminación", advirtió Antonio de Padua Mello, que vive hace 23 años en Recanto.

Tras conocer los resultados de los exámenes toxicológicos, la Secretaría de Salud de Paulina dijo que mudará a los habitantes de Recanto a otro barrio si la Shell no lo hace, ya que se comprobó que los COP siguen activos en el lugar.

Pero no sólo eso, estos resultados podrían determinar el rumbo judicial del
caso. El Ministerio Público (Fiscalía) decidirá si enjuicia a la compañía Shell por daños a la salud pública y al ambiente.

Por lo pronto, los vecinos afectados están decididos a reclamar indemnizaciones a la compañía transnacional anglo-holandesa.

“Hay documentos que comprueban que
Shell omitió datos, como las zanjas en que enterró desechos tóxicos, lo que define un delito", sostuvo Padua Mello a Tierramérica. Los que intentan vender su propiedad para marcharse no encuentran comprador.

A partir de 1977,
Shell Química produjo en la fábrica aldrin, dieldrin y endrin, tres de los 12 COP condenados por la convención de Estocolmo. La venta de esos agrotóxicos fue prohibido en Brasil en 1985, pero la producción para la exportación continuó hasta 1990.

La empresa admitió en 1994 la contaminación del área ocupada por la fábrica, en una auditoría previa a la venta del sector agroquímico de
Shell mundial al grupo estadounidense Cyanamid. Asumió así la responsabilidad por los problemas ambientales de la planta, adquirida por la alemana Basf el año pasado.

Pero
Shell actuó de manera "por lo menos irresponsable, si no criminal", aseguró Karen Suassuna, coordinadora en Brasil de la campaña de Greenpeace contra sustancias tóxicas.

Además de no adoptar medidas para contener y eliminar los contaminantes, solo analizó el agua subterránea de la comunidad vecina a principios de este año. En algunos pozos se registró una proporción de dieldrin hasta 16 veces superior a la permitida por la legislación brasileña.

Los habitantes del Recanto señalaban desde hace muchos años el color, olor y sabor extraños del agua y se quejaban de problemas de memoria, cansancio, dolor de cabeza, alergias e insomnio. En los últimos 10 años hubo cinco casos de cáncer, con el resultado de cuatro muertes.

Pero representantes de
Shell sostienen que la "pequeña" cantidad detectada de residuos no amenaza la salud humana y que exámenes pedidos por la empresa no identificaron a personas contaminadas por dieldrin ni endrin.

El secretario de Salud de
Paulinia, José Nino Meloni, dijo que pedirá la evaluación de otras posibles víctimas, como los ex empleados de la empresa, hasta un total de dos mil casos.

Paulinia es un ejemplo de los muchos desastres de la industria química.

Shell construyó su fábrica a sólo 150 metros del río Atibaia, que abastece a varias ciudades vecinas. En sus países de origen, las empresas multinacionales están por lo menos sujetas a reglas y sanciones más severas, observó Suassuna.

* El autor es corresponsal de IPS

· Greenpeace urge aplicación de tratado contra los COP

· EE.UU. firmará tratado que prohíbe químicos tóxicos


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Crédito:  Sergio Dorantes

Crédito: Sergio Dorantes

Enlaces Externos

Greenpeace Brasil: Shell y Paulinia

Greenpeace: el caso Paulinia (en inglés)

Shell Brasil: Informaciones sobre Paulinia

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos



sexta-feira, 6 de julho de 2007

 

BANCO DO BRASIL

Tenho conta no Banco do Brasil há mais de 20 anos, porém estou a um passo de fechar minha conta nesse banco.
Cansei de ser barrada na porta giratória!!!
Há mais ou menos um mês fui testemunha de um outro "constrangimento ilegal" nessa mesma porta giratória da

AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL DE PAULÍNIA.

O rapaz que foi barrado, fez um boletim de ocorrência e pediu para que eu fosse testemunha dele e que ele seria minha testemunha, pois ele tinha presenciado o que aconteceu comigo, logo depois dele.
A "mocinha", guarda da segurança, que fica armada, já me fez até abrir a mochila para ver o que tinha dentro, coisa, que, depois, me contaram, ela não tem direito de fazer, há não ser que tenha um mandado(to?) de busca e apreensão.
...e assim é, toda vez que chego lá.
...eles dizem que é a "central" do Banco que "aciona" o sistema, MAS É MENTIRA. EU, E OUTRAS TESTEMUNHAS JÁ VIMOS E VEMOS, ELES APERTANDO O BOTÃO DE UM "APARELHINHO" PARA TRAVAR A PORTA.
O rapaz que fez o boletim de ocorrência, que falei, não conseguiu entrar, o gerente chamou a polícia para ele, só que ele era policial militar, adv. e investigador. Fiquei sabendo disso quando ele me pediu para ser testemunha dele.
SÓ QUE TEM UMA COISA INTERESSANTE:-
Tenho conhecidas(os) que entram COM CELULARES, CHAVEIROS E ETC., sem nenhum problema, nessa mesma agência do

BANCO DO BRASIL DE PAULÍNIA...

ASSIM COMO EU TAMBÉM JÁ ENTREI, MILHARES DE VEZES, COM OU SEM METAL, NESSA MESMA AGÊNCIA, QUANDO QUEM FAZIA A SEGURANÇA ERA OUTRA firma/empresa ou sei lá como se chama isso.
...outro dia mesmo, fui ao banco e entrei sem problema nenhum, só que não era a mesma "mocinha" de sempre, pensei até que ela tivesse sido transferida, mas acho que estava de férias.
HOJE, OU 2ª FEIRA, (POIS HOJE É O 5º DIA ÚTIL, E O BANCO DEVE ESTAR LOTADO) VOU FALAR COM O GERENTE.
E dependendo da conversa vou fechar minha conta e ver, com algum adv., no que eles me ferem.
Afinal de contas tenho conta lá desde 1980, tranferida para o Banco do Brasil de Campinas em 1983/84 e reaberta em Paulína em 1986, recebo por lá, tenho contratos de propaganda com o GOOGLE, que só são pagos pelo Banco do Brasil (por causa do câmbio), enfim, uma vida inteira construída num Banco que hoje me discrimina e constrange.
Quero falar, também, que entro em qualquer Banco de Paulínia sem ser barrada em porta giratória nenhuma.
Só que tem uma coisa :-
Eu gosto dos seviços do BB!!!
...e nunca gostei de trocar nada...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

 

CLICAR SEMPRE + UMA VEZ!!!!

AVISO

S
E VOCÊ QUISER LER TODAS AS POSTAGENS DE CADA MÊS É PRECISO "CLICAR" SEMPRE MAIS UMA VEZ NO MÊS ESCOLHIDO, POIS, MUITAS VEZES, MAIS DA METADE DAS POSTAGENS, FICAM ESCONDIDAS.


Jornal Todo Dia
www.tododia.com.br
05/07/2007

CASO SHELL

Ex-trabalhadores querem centro de referência para atender região
Claudete Campos - Paulínia

Arquivo/TodoDia Imagem

Antiga fábrica de Shell, no Recanto dos Pássaros, em Paulínia
Os ex-trabalhadores da Shell do Brasil e da Basf S.A. pleiteiam a construção de um Centro de Referência em Atendimento à Saúde de Populações Expostas a Contaminações Ambientais para atender os 19 municípios da RMC (Região Metropolitana de Campinas). A construção ficaria a cargo da Shell. A assinatura de um plano de saúde vitalício e criação de protocolo de atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para atender os contaminados estão sendo discutidos pelos representantes dos trabalhadores, pelas empresas, pela Procuradoria do Trabalho e pela Justiça do Trabalho de Paulínia.

A informação é do presidente da Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas, Antonio de Marco Rasteiro, que participou de audiência na Segunda Vara do Fórum Trabalhista de Paulínia, anteontem de manhã, como desdobramento da ação civil pública. Cerca de 50 ex-funcionários se concentraram na frente do Fórum.

Foi assinado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e as empresas terão 90 dias para detalhar as propostas. Para Rasteiro, a construção seria um grande avanço para a Região e poderia servir como referência para cidades com pólo petroquímico. O Centro deve ter profissionais especialistas no atendimento de trabalhadores contaminados. A Shell disse estar empenhada na busca de bases para celebrar acordo. A assessoria da Basf informou que as propostas ainda estão sob negociação e as empresas têm mais de 90 dias para aprofundá-las.




 

TOLERÂNCIA VENENOSA

REVISTA DO BRASIL

Trabalho

Tolerância venenosa

Substâncias com potencial cancerígeno ainda têm seu uso tolerado como matéria-prima ou até como instrumento de trabalho. Se isso não for combatido, o Brasil pode herdar uma epidemia de câncer ocupacional nas próximas décadas

Por Cida de Oliveira






Foto: Andrea Prado /Melhor Imagem
Doença crônica
Rafael: “Estou afastado há quatro
anos e não consigo passar em nenhum
teste de seleção”


www.revistadobrasil.net/trabalho.htm


Há três anos o ganho repentino de 20 quilos intrigou o químico Luís João da Cruz, de São Bernardo, no ABC paulista. Até que exames revelaram o mau funcionamento da tireóide. Pior: uma alteração sanguínea chamada síndrome mielodisplásica. O diagnóstico – a meio caminho da leucemia – contraria o dos médicos da Basf, onde ingressou há 12 anos. Para eles, seu problema era atribuído a fatores genéticos e étnicos. Mas os sangramentos constantes ao se barbear o levaram a procurar outros especialistas e, por fim, um médico do Sindicato dos Químicos do ABC.

“Para lavar os tachos e limpar o chão, eu usava uma mistura de benzeno, xileno, metanol, acetato de metila e outros solventes reaproveitados. Hoje sei que a máscara e as roupas que usava não me protegiam dos vapores desses produtos”, afirma. Luís já retirou um tumor benigno mamário e em breve começará novo tratamento no Hospital do Câncer. O sonho do ajudante de seguir carreira na empresa o levou a entrar na faculdade de Química. Formou-se ano passado, aos 36 anos. Afastado do trabalho, não pôde alcançar promoções. Hoje, ensina química em um cursinho gratuito para alunos carentes.

Leucemia é o nome dado a um conjunto de tumores malignos devido ao acúmulo de células imaturas na medula óssea, onde o sangue é produzido. É um entre os cerca de 100 tipos de câncer, doença que é a segunda maior causa de morte entre os brasileiros acima de 40 anos. Perde apenas para as complicações cardiovasculares. Em 2005 o Sistema Único de Saúde registrou 423 internações, 1,6 milhão de consultas ambulatoriais e consumiu 1,16 bilhão de reais com a doença. A cada mês são tratados 128 mil pacientes em quimioterapia e 98 mil em radioterapia. De cada três novos casos, um será fatal.

Não se tem uma medida exata de quantas dessas ocorrências foram provocadas pelo trabalho. O Instituto Nacional do Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima entre 2% e 4% delas. Uma publicação lançada em abril pela Federação Internacional dos Metalúrgicos (IMF, na sigla em inglês), para a campanha Câncer Ocupacional/Câncer Zero, revela que os tumores são responsáveis por um terço das mortes causadas por doença ocupacional no mundo. Outro estudo, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que os riscos dos ambientes de trabalho levam a 10% das mortes por câncer de pulmão.
No Brasil, a falta de estatísticas se deve à baixa de notificação dos casos. Por temer pelo emprego, muita gente evita ou adia cuidados médicos. A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), principal instrumento para gerar dados, procedimentos de tratamento e ações preventivas, raramente é emitida em casos de câncer. Não são raros médicos do trabalho que colaboram para isso, acreditando que assim protegem o interesse do empregador. E pouca gente sabe, mas a CAT pode ser emitida pela empresa, pelo próprio trabalhador, pela entidade sindical, por médicos, magistrados, membros do Ministério Público, bombeiros e outras autoridades. Por fim, há também peritos do INSS que, por desinformação ou má-fé, só aceitam a CAT emitida pelo patrão.

Levantamento inédito feito pela professora Anadergh Barbosa de Abreu Branco, do Laboratório de Saúde do Trabalhador da Universidade de Brasília (UnB), dá uma idéia da subnotificação. A pesquisadora constatou que, em 2004, o INSS concedeu 73.905 auxílios-doença e aposentadorias para vítimas de câncer. Desses, apenas 104 foram relacionados ao trabalho. “O número está muito aquém até dos índices mais conservadores”, diz.

Prevenção dificultada
A maioria dos tipos de câncer aparece quando o trabalhador já mudou de emprego, de ramo ou se aposentou. “E, quando o especialista não investiga a história profissional do paciente, as origens do problema acabam ignoradas”, observa Jefferson Benedito Pires de Freitas, médico do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da Freguesia do Ó, em São Paulo. Assim, o trabalhador tem dificuldade de cobrar na Justiça a reparação pelo dano ou de requerer aposentadoria especial. A não investigação da origem da doença dificulta ainda a avaliação do grau de risco das atividades e a adoção de medidas preventivas.

O fato de o câncer ser comumente associado a fumo, sedentarismo ou inadequação alimentar é outro obstáculo à identificação dos agentes cancerígenos utilizados em empresas. A Basf, por exemplo, nega o uso de benzeno em qualquer uma de suas fábricas em todo o mundo, embora o químico Luís João garanta ter documentos que provariam o contrário na unidade de tintas automotivas, de São Bernardo. E, até que a Justiça dê o veredicto, outros poderão adoecer. Não é de hoje que a substância é associada à leucemia. Um acordo assinado no Brasil há 12 anos proíbe seu uso, o que não é cumprido à risca.

A Shell admite o uso de substâncias nocivas na fábrica de pesticidas que manteve no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia (SP), no período de 1974 a 1995. E reconhece ter contaminado o meio ambiente. No entanto, diz que a contaminação não significa riscos à saúde humana e nega ter algo a ver com a doença dos trabalhadores que atuavam em uma área contaminada com aldrin, dieldrin e outras formulações da família dos drins – proibidas nos Estados Unidos no começo dos anos 70 –, mais o pentaclorofenol, o DDT, o toxafeno e o benzeno.

Relatório concluído no final de 2005, por encomenda do Ministério da Saúde, revela que, além dos moradores das chácaras nas imediações, todos os trabalhadores foram diretamente expostos – na produção, no armazenamento e no transporte – a vários agentes que afetam a função sexual, a ação imunológica e neurológica e induzem a tumores malignos nas mamas, testículos e próstata.

Dona Jandira Janasco, que nunca trabalhou na Shell, teve de retirar a mama esquerda. Ela sempre lavou à mão as roupas com que o marido, Nivaldo, ia trabalhar. Aos 58 anos, ele tem linfoma linfoblástico, câncer que atinge os gânglios linfáticos, responsáveis pelo sistema de defesa natural do organismo. Conforme o Inca, esses tumores estão ligados a pesticidas, solventes e fertilizantes; e a contaminação da água pelo nitrato presente em fertilizantes pode aumentar os riscos para a doença. “Já levanto tomando remédio”, diz Nivaldo, que faz quimioterapia. Por determinação judicial, a empresa tem de pagar parte da conta da farmácia.

Risco 166 vezes maior
A médica June Maria Passos Rezende estudou documentos de 62 ex-trabalhadores da Shell atendidos no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Campinas e concluiu que as pessoas do grupo analisado estavam 166 vezes mais expostas a riscos de câncer do que o restante da população masculina da cidade. June constatou três casos de câncer de tireóide. Um deles, Rafael José Martins, 31 anos, de Cosmópolis, venceu o câncer, mas não os metais pesados no sangue nem a sonolência excessiva, a tontura e a canseira provocadas pelos hormônios sintéticos que toma para compensar a falta dessa glândula, que precisou extrair. A tireóide fabrica hormônios que atuam nos sistemas digestório, urinário e nervoso, na renovação celular, no desenvolvimento dos músculos, dos ossos e até na função reprodutiva. “Estou afastado há quatro anos e não consigo passar em nenhum teste de seleção”, diz Rafael.

Seu colega Antonio de Marco Rasteiro, 59 anos, enfrentou oito cirurgias. Extraiu próstata, parte da bexiga e vesícula. Exames recentes revelaram focos de condição pré-cancerígena no esôfago e intestino. Sem contar a perda auditiva, a hipertensão e outras complicações. Antonio atua na Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq), criada há cinco anos com o apoio do Sindicato dos Químicos Unificados das regiões de Osasco e de Campinas. “Queremos que a empresa que tirou nossa saúde cuide de nós”, diz Mauro Bandeira, um dos líderes da associação.

De acordo com os epidemiologistas Fátima Sueli Neto Ribeiro, do Inca, e Victor Wünsch Filho, da Faculdade de Saúde Pública da USP, agentes reconhecidamente perigosos, como amianto (ou asbesto), sílica e a radiação ionizante, estão entre os que permitem exposições toleradas (leia quadro). Embora o Brasil adote a concepção de níveis tidos como seguros, a ciência não os reconhece.

Banido em 48 países, o amianto está no dia-a-dia de 1 milhão de trabalhadores brasileiros. A fibra mineral usada na fabricação de caixas d’água e telhas, por exemplo, causa câncer pulmonar e mesotelioma (tumor na pleura, membrana que reveste os pulmões). Essa doença, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, matou 50 pessoas em 1980 e 179 em 2003. Mesmo assim, e contrariando diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o governo brasileiro opta pelo uso controlado, posição defendida pelos Ministérios das Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As pastas do Trabalho, da Previdência Social, do Meio Ambiente e da Saúde defendem o banimento gradual.
O aposentado José Antonio Domingues, 69 anos, de Adamantina (SP), sobreviveu a um câncer no pulmão, mas ficou apenas com metade do órgão. Entre 1976 e 1991 trabalhou na unidade de Osasco da belga Eternit. “Quando fui demitido, o médico disse que eu estava melhor do que quando entrei”, conta. Só soube que estava doente em 2002, pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro).

O órgão do Ministério do Trabalho examinou 900 ex-trabalhadores daquela fábrica organizados pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea). Em setembro passado Domingues perdeu a mulher, com câncer generalizado. Eliezer João de Souza, presidente da Abrea, lembra um caso semelhante, em que o mesotelioma vitimou uma mulher que nunca tinha pisado na fábrica. Trabalhadores da Eternit, o marido e o filho dela desenvolveram asbestose e placas pleurais, respectivamente. “O amianto é questão de saúde pública e deve ser banido definitivamente”, diz Eliezer.

Élio Martins, presidente do grupo Eternit, admite 38 casos de câncer entre seus ex-trabalhadores, originados nos anos 80, quando “ainda não havia conhecimento suficiente sobre os riscos do mineral”. Segundo o presidente, a empresa assume o tratamento dessas vítimas. Ele afirma que o tipo de amianto usado no Brasil, o crisotilo, é “inofensivo” se empregado controladamente.

O pesquisador Hermano Castro, da Fiocruz, contesta. Desde a década de 50 os países europeus já conhecem o poder cancerígeno do pó. “Durante muito tempo acreditou-se que a doença, assim como o câncer pulmonar, aparecia mais de 30 anos após a exposição. Há estudos revelando que, nos dois casos, isso pode acontecer em até cinco anos”, afirma.

Matéria-prima nuclear
Trabalhadores da extinta Nuclemon também criaram uma associação para lutar, sobretudo, por um plano de saúde. A empresa funcionou entre 1949 e 1992 em Santo Amaro, zona sul da capital paulista. Processava as chamadas areias pesadas (monazita, zirconita, ilmenita, rutilo e ambligonita) para obter urânio e tório – ingredientes de combustíveis nucleares – e outros compostos para a indústria cerâmica, de vidros ópticos, solda e detergentes. Em 1994 foi incorporada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e transferida para Resende (RJ).

No mês passado parte desses ex-trabalhadores se reuniu na subsede de Santo Amaro do Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo. Comemoravam o primeiro ano da associação e uma vitória na Justiça: a INB terá de incluí-los no mesmo plano de saúde oferecido aos seus trabalhadores atuais. A luta começou há 15 anos, quando a médica do trabalho Maria Vera Cruz de Oliveira, do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, começou a acompanhar o estado de saúde dos trabalhadores. Um deles, o técnico de segurança Almir Santana, 46 anos, do Guarujá, litoral de São Paulo, ficou doente em menos de dois anos de contato com agentes radioativos. “Descobri a leucemia em 2000, durante um exame admissional”, conta. Se existisse momento certo para notícia ruim, certamente não seria aquele, quando estava para ser contratado após meses sem emprego.

Almir fez transplante de medula, enfrentou uma catarata, tem artrose, síndrome do pânico e dificuldades para dormir. Aposentado, dedica-se à música quando não está em tratamento médico. O ajudante Jorge dos Santos Souza, 55 anos, desenvolveu câncer na próstata, que trata com radioterapia. As longas jornadas de trabalho em contato direto com as areias – sem proteção – marcaram seu rosto. Dos cerca de 500 funcionários que a Nuclemon tinha quando foi fechada, 90 ainda brigam pelos direitos.

Como as outras empresas ouvidas pela Revista do Brasil, a INB diz que acata a decisão judicial. No entanto, alega que o direito de reclamação dos ex-trabalhadores já estaria prescrito. O argumento conflita com o artigo 12 da Convenção 115 da OIT – que dá ao trabalhador exposto a radiação o direito a acompanhamento médico por no mínimo 30 anos. O Brasil ratificou a convenção, mas o artigo ainda não foi regulamentado. A INB também contesta a relação das doenças com o exercício profissional dos empregados. De acordo com parecer do médico do trabalho Aluízio Torres Falcão, da unidade de Resende, “devem ser levados em conta não só fatores ocupacionais como também aqueles relacionados às condições de vida dos funcionários fora da empresa”.

Medo e epidemia
A partir do final dos anos 80, reestruturações produtivas, novas tecnologias e crises econômicas afetaram drasticamente o nível de emprego. A bandeira da manutenção dos postos de trabalho sobressaiu. “Os trabalhadores passaram a ter de escolher entre lutar por trabalho ou saúde”, avalia Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho. O medo – do desemprego e de tantas outras pressões – aumenta o estresse e a ansiedade. “Prejudica o sistema imunológico e favorece o aparecimento de diversos males, inclusive o câncer”, adverte Anadergh Barbosa, pesquisadora da UnB.

Segundo a OMS, 200 mil pessoas morrem por ano vítimas do câncer ocupacional. A maioria está nos países desenvolvidos, onde utilizar substâncias cancerígenas, hoje sob controles mais rigorosos, era constante há 20 anos. A OMS adverte que há empresas que ainda manipulam produtos cancerígenos – algumas operam em países com leis frouxas. “Se o uso desregulado de cancerígenos continuar nos países em desenvolvimento, pode levar a um aumento do câncer ocupacional nas próximas décadas”, afirma Fadela Chaib, porta-voz da OMS. Se as leis e a fiscalização forem frouxas no Brasil, o avanço da medicina em diagnósticos, medicamentos e tratamentos será incapaz de minimizar o impacto da epidemia anunciada.


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