quinta-feira, 6 de julho de 2006

 

...mais um estudante...

Abaixo o texto de um trabalho de Sandro Milani.

mailto:sandromilani@gmail.com

BOM DIA!!!!!!!!!!!!!!!!!

ESTE FOI O FRUTO DO MEU TEXTO NO FINAL DE SEMESTRE, QUE GRAÇAS AO BOM DEUS FOI ESCOLHIDO A MELHOR MATÉRIA.
MUITO OBRIGADO E ESPERO QUE VOCÊ GOSTE!!!!!!!!!!!!!

Desacordo, família continua em hotel
Sandro Milani

O que parecia se tratar de uma simples hospedagem temporária, tornou-se um drama na vida da família de Ciomara de Jesus Rodrigues, 60 anos, que com seus dois filhos, de 25 e 29, mora há 3 anos num hotel na cidade de Paulínia, convivendo diariamente com desconhecidos. Sem amigos, sem endereço próprio, sem telefone, sem liberdade. Mas nem só de perdas é a vida de Ciomara. Nesses mesmos 3 anos, ela ganhou cerca de 30 quilos, alguns problemas de saúde em decorrência da obesidade e uma série de limitações impostas por uma rotina solitária.
A família de Ciomara é uma das 60 que foram retiradas da área contaminada pela Shell, no Bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia.
Morar num hotel, comendo, bebendo e dormindo sem pagar nada, pode parecer fascinante. Não para Ciomara. “Tudo bem que a Shell paga, inclusive quartos individuais para meus filhos, mas é o mínimo que a empresa poderia fazer depois de contaminar a área e tirar a gente da nossa casa”. Segundo ela, deixar de fazer coisas simples, com as quais estava acostumada, ver se os filhos estavam cobertos à noite, tirar leite de suas vacas, tratar dos gatos e colher frutas no pomar, é o mesmo que tirar dela a liberdade. “Me sinto como um pássaro engaiolado, vivo como gado confinado”.
Os dias de hóspede de Ciomara podem marcar de forma negativa sua vida. Para a psicóloga Emília Picarelli, a ansiedade e a expectativa vividas durante todo este tempo, fazem refletir no corpo. “Uma pessoa que vive nestas condições pode desenvolver efeitos traumáticos sérios, que, em alguns casos, podem deixar marcas por toda vida. É importante o acompanhamento de um especialista para orientar e administrar estes problemas vividos por ela”, alerta a psicóloga.
Ciomara diz que não agüenta a situação e espera que a Shell compre-lhe uma chácara com tudo que ela tinha na sua propriedade, seus animais, sua casa, seu pomar, e uma indenização que, segundo ela, seria usada no tratamento de saúde dela e dos filhos e para tentar recomeçar a vida.
Na ocasião da contaminação, a Shell providenciou a remoção e tratamento de saúde dos moradores, como foi determinado pela justiça. Depois disso, começou a negociação para a compra dos imóveis. Na época, os proprietários que concordaram com a proposta de compra por parte da Shell tiveram as chácaras adquiridas pela empresa.

Foi esse o caso de Paulo Souza , curador da Secretaria de Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente de Paulínia e Presidente da Associação dos ex-moradores do Recanto dos Pássaros, que vendeu sua chácara por um preço abaixo do mercado. Mesmo sabendo que estava fazendo um mau negócio, foi obrigado pela família a concretizar a venda. “Eu tinha que vender pois minha mulher e meu filho me encostaram na parede. Sei que vendi barato, mas hoje tenho minha própria casa e vivo em paz com minha família”, conclui Souza. Apesar disso, ele move uma ação contra a Shell por danos à saúde.
Ciomara espera reconquistar o seu próprio espaço e a liberdade que lhe foi roubada.
No mesmo hotel, a Shell mantém outras 3 pessoas de uma mesma família, que também não entraram em acordo sobre a venda da propriedade.

Caso Shell se estende por quase 12 anos

Em 14 de setembro de 1994 a Shell do Brasil S.A. – Divisão Química, comunicou à Promotoria de justiça do Município de Paulínia através de auto denúncia a constatação de contaminação do solo e das águas subterrâneas, que segundo as informações da empresa, encontravam-se restritas à área fabril.
Só em 1998 a Shell admitiu publicamente, por força de ação em curso no Ministério Público Estadual (MPE), que havia contaminação por produtos tóxicos no lençol freático que abastece as chácaras do bairro Recanto dos Pássaros em Paulínia.
O bairro, espremido entre indústrias é formado por 60 terrenos residenciais, margeando o Rio Atibaia. Em 2002, por determinação da justiça, a Shell começou a comprar os imóveis da área contaminada para que os moradores deixassem o local.
Mas, de acordo com o vice-presidente da associação do bairro, Antonio de Padua Melo, pelo menos dois não aceitaram as propostas e moram em um hotel pago pela Shell.
O advogado, Valdir Tolentino de Freitas que representa um grupo de moradores, diz que cento e oitenta pessoas ainda querem indenizações por possíveis danos à saúde.



Observação minha: A Shell não providenciou tratamento nenhum, como ela alega (e alegou para Sandro), ela apenas pagou alguns exames de sangue, e alguns "Ultrasons", abdómen total e tiroide, mas não continuou com o acompanhamento semestral dos problemas que foram detectados, como os médicos do Albert Eintein recomendaram e foi pedido.

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