quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

 

quem sou

Tema em Debate
Paulínia, 1 de abril de 2004.
Para cumprir ordens e obedecer à justiça é que me encontro, hoje, hospedada no hotel XXXX de Paulínia e não por vontade própria ou opção.
Humilhações, restrições, discriminações, falta de privacidade e imposições passaram fazer parte do meu dia a dia depois que fui obrigada e até intimidada, com possível remoção com força policial, caso não desocupasse, por bem, o “meu” imóvel e viesse me instalar num dos melhores hotéis da cidade, ou seja, para o confinamento.
Desfrutando de um cardápio farto, porém não compatível com minhas necessidades, tento me adaptar.
Vivendo entre quatro paredes, respeitando regras e horários, tento sobreviver com equilíbrio e dignidade.
Separada dos meus animais, do meu trabalho, da minha maneira de viver, da liberdade e autonomia que sempre desfrutei, procuro não sucumbir.
Decepada nas minhas raízes, obedecendo a determinações e cumprindo a lei, agonizo.
Nunca, em minha vida, cogitei sair da minha casa.
Sendo obrigada “ceder meus direitos sucessórios”, que nunca estiveram à venda, diferentemente dos outros imóveis do local, gostaria de saber se minha executora será chamada para assumir, juntamente com, suas responsabilidades relativas aos prejuízos e danos causados a mim e ao meu quinhão. Onde eu colhia minhas frutas, legumes e verduras o ano todo, onde eu criava minhas vacas, onde, e donde, eu tirava todo meu sustento e da minha família.
Tendo minha subsistência totalmente dependente do local não vejo como sobreviver se abrir mão, pelo valor imposto, do único bem que tenho, em favor de minha executora, que em nenhum momento se mostrou responsável ou se preocupou com a extensão dos danos a mim causados ou com meu empobrecimento total em conseqüência de seu procedimento, suas irresponsabilidades, omissões e acidentes criminosos contra o meio ambiente, envenenando minha água, meu solo e, possivelmente, minha saúde, dos meus filhos e da minha família, que também desfrutava de tudo que a propriedade produzia e oferecia desde 1955 quando foi comprada pelo meu pai.
A empresa, em questão, põe toda culpa nas “manifestações publicas do Município de Paulínia, alarmistas e sem fundamento técnico, a respeito da extensão da ALEGADA CONTAMINAÇÃO ambiental do bairro Recanto dos Pássaros”.
Comportamento esse, não muito claro, pois, se não me engano, houve uma auto-denuncia em 1995 e na época foi firmado um TAC, bem antes do Município de Paulínia se pronunciar e que até hoje, parece, não foi cumprido.
Que eu pague por ter escolhido viver em paz junto à natureza; que eu pague por amar o que meu pai construiu, com muito amor, para mim; que eu pague por não querer sair do local onde passei minha infância e criei meus filhos; que eu pague por ter ousado querer viver, até a morte, em local disputado por poderes e poderosos; que eu pague pela ousadia de querer ser feliz dentro do que me pertence e que hoje está sendo usurpado de mim.
Que eu pague pelo que pedi, quis, fiz, ousei ou sonhei!
Chega de humilhações, mentiras e distorções de fatos e atitudes!
Chega de constrangimentos!
Chega de humilhações!
Ponho-me a disposição da Justiça para que seja cumprida a lei e assumida a responsabilidade.
Que a Justiça determine o que me cabe, pois mesmo se a minha executora e aliados me dessem todo dinheiro do mundo, não iriam repor o que estão me tirando.
Não têm dinheiro que pague a vida, os sonhos, os anseios, a felicidade, o amor, a segurança e o sorriso de uma criança de barriga cheia!
Não vou mais lutar pelo que pensei ser um direito meu ou uma compensação por estarem me tirando tudo que tenho, pois continuaria sendo humilhada, constrangida, e contestada, pois nossos valores e noção de respeito ao próximo e à natureza são opostos.
Confiando no MM. Juiz, agradeço.


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Ciomara de Jesus Rodrigues

QUEM SOU!! 05/04/05
Pra começar, comecei existir, (fora da barriga da mamãe) em 27 de abril de 1946, às 10:20hs, se não me engano.
Mamãe passeava, no jardim São Benedito, em frente a casa dela(nossa) em Campinas, com meu irmão(primogenito), quando começou sentir as dores...
Avisou em casa e foi direto para o hospital, Casa de Saúde de Campinas(Círculo Italiano)em frente ao jardim também. Correria. Mamãe, e meu irmão, quase morreram no 1º parto. Levaram-na para o quarto, correram buscar a maca para levá-la para a sala de parto, chega a maca, chega meu pai, a enfermeira olha na cama, eu já tinha nascido, empurra meu pai pra fora do quarto, naquele tempo o pai não podia ver, e eu!! euzinha, na cama, de bruços, levantando a cabecinha já querendo ver tudo, CHEGUEI A ESSE MUNDO!!!!
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O QUE VIVI
08/04/05
MEU PAI:- PROFESSOR ALBANO DE JESUS RODRIGUES.
MAMÃE:- HERMÍNIA DALLEDONNE RODRIGUES.
Tive uma infancia comum, fui criada com 3 irmãos, nunca admiti ter menos regalias que eles por ser menina, desde pequena lutei pelo direito de jogar bola, birola, brincar de mocinho e bandido, de subir no muro, no telhado de casa, nas árvores e brincar de tudo que eles brincavam!!! Quando nasci morávamos na casa da vovó, na rua Duque de Caxias em frente o jardim, dali mudamos para casa nossa na rua General Osório nº 1887(Cambuí). Ali passei minha infância e minha adolescência(dos 3/4anos aos 19 anos).
Fui adolescente rebelde ao máximo que se podia ser. Fui mãe solteira aos 19 anos e por motivos, que ainda doem, abandonei tudo, fugi de casa em dezembro de 1968. Viajei pelo Brasil e por boa parte da America do Sul.
....agora vou parar, volto escrever depois.... 17:44hs.


15/04/2005. 6ª feira
Hoje estou triste. Recordo com tristeza minha vida, minhas lutas, meus sonhos!!
Logo depois que viajei por aí tudo, fazendo e vendendo artesanato para sobreviver, chamavam a gente de hippie, montamos um Atellier em SP, na rua Vergueiro e passei expor meu artesanato na Praça da República, na feira de Campinas, no Imbu e onde mais tivesse feira. Conheci Paulo, passamos viver junto, ele também era artesão, continuamos fazendo as feiras. Em outubro de 1971, meu pai faleceu e a nossa chácara ém Paulínia ficou abandonada, ninguém mais queria ir lá. Como eu e Paulo pagávamos aluguel em SP e em Campinas resolvemos ir morar na chácara! Teríamos paz, silêncio, tranqülidade e eu estaria realizando o meu maior sonho, concretizando o meu maior desejo:- Viver junto a natureza, viver no lugar onde passei quase todas as minhas férias e fins de semana com meus pais e irmãos. Viver na casa que meu pai construiu com todo amor e garra, meu pai não era pedreiro, mas, mesmo assim, queria fazer e fez, sozinho, uma "casa" para nós. Eu queria plantar, ter mil bichinhos, colher as frutas do pomar que meu pai formou com todo carinho e amor do mundo e ser feliz, muito feliz junto de tudo que eu amava e amo ainda. Com Paulo fui muito feliz, mas não deu certo por muito tempo e nos separamos, não tivemos filhos, porém no tempo em que vivemos na chácara tínhamos uma horta enorme. Tínhamos de tomate a ervilha, de alface a brócolis, de rabanete a beterraba. Todas as tardes, menos no inverno, o canto das cigarras era ensurdecedor, até abafava o canto dos passarinhos! A revoada dos "sisiris", dos "vitus"!!! sem contar quando as abelhas europa queriam fazer colméia dentro de casa!! Era uma delícia, eu amava! Só que não podia deixar e depois de muita "conversa"* eu as convencia para irem embora!!!!!( *eu espirrava "detefon" num cantinho e elas não gostavam). No pomar tínhamos desde acerola até jaca dura, de sapoti até lixia, de jaboticaba até manga, jambo, laranja cravo, poncan, lima, limão galego, taíti, ceciliano e etc.
Quando me separei do Paulo continuei morando sozinha na chácara; sozinha em termos, pois eu tinha quase vinte gatos e 5 cachorros. Continuei fazendo meu artesanato, minhas feiras e vivia feliz da vida, eu nunca me senti só, mesmo estando sozinha!!! Eu sempre digo, que gosto de ficar comigo.( Digo, também, que o melhor marido que tive foram as minhas vacas, que eu amarrava onde queria, não me
pediam explicações e já vinham com chifre!) Ali eu tinha tudo, meu chão, minha casa, minhas frutas, o ar e a água puros, o solo fértil, a segurança, nunca tranquei a porta de casa em 32 anos que vivi lá, nem para viajar, nem para ir para a Vila (era como chamávamos Paulínia). Sabe um lugar onde você se sente a dona do mundo, SOBERANA? Pois é, lá eu estava no meu porto seguro...



...um dia, porém, as coisas começaram mudar. Em 1971 a Petrobrás já tinha se instalado do outro lado do rio, mas eu não tinha noção de muitas coisas....
29/04/05....alguns aninhos depois....... e eu não sabia o que era ter uma Multinacional no meu portão! Era até um privilégio!!(?) Era o progresso!?Eram os empregos para o povo!!(?) ...afinal de contas era a SHELL, poxa!!(x=rr), que se instalava no meu portão!!!!! Cresci ouvindo e acretitando no "slogan":- "Shell você conhece, você confia!!" e o outro "slogan":- "Você pode confiar na Shell!!!" e continuei sendo feliz... 1975, "casei" com Karl, Alemão, como era chamado... o tempo passou...Eu notava que as cigarras não cantavam mais como antes! que as formigas não cortavam mais as folhas como antes! eu não sabia porque a terra enchia de trevo e não dava de tudo como antes, era preciso "corrigir a terra" ....e eu também não sabia porque meu filho, Karl, nascido em Janeiro de 1978, vomitava dia e noite e passou a não dormir mais DESDE que voltei, depois de 15 dias, de Campinas, onde fui dar a luz, pois em Paulínia não tinha hospital! Eu não sabia tantas coisas e muitas eu não sei até hoje!!! Ninguém explica ou cada um diz uma coisa diferente!
1º/05/05!!!! retomando... Meu filho Karl, nascido em Janeiro de 1978, só ficou bem de saúde quando comecei tratá-lo com Homeopatia com quase uns 2 anos de idade. Tenho, até hoje, todas as receitas médicas e exames dele. Quando fui no homeopata, lembro como se fosse hoje, coloquei a pilha de receitas e exames na mesa e disse:- "Sei que só a homeopatia vai curá-lo."... e continuei:-" Aqui está tudo que foi feito e cada vez ele está pior." Levou um tempinho e ele ficou "bem".Quando meu filho Klauss (kaká) nasceu em dezembro de 1980, começou apresentar quase os mesmos problemas do Karl, mas como eu já estava escolada com todo o sofrimento do Karl, de imediato corri no mesmo médico, que é nosso médico até hoje, e conseguimos com menos sofrimento "equilibrar" o Kaká também. Só que nem o Dr. Marcos, nem os outros médicos alopatas, sabiam o que eles tinham! O kaká mamou no peito até 3 ou 4 anos e 1/2 e apesar de "equilibrado", como eu disse, o cocozinho dele era igual a uma gelatina e ninguém sabia porque, parecia que faltava uma enzima digestiva por algum motivo desconhecido, dizia o médico. Hoje porém, analisando os fatos, que na época eram desconhecidos, pode-se fazer uma ligação. Que fatos? Que ligação? Pois é:- A Shell Química, na década de 70, veio para o Brasil, em especial no meu portão, onde construiu uma fábrica onde manipulava DRIN"S e outros organoclorados, que são agrotóxicos PROIBIDOS desde antes de 1970, nos Estados Unidos e em Países desenvolvidos. Ela veio produzir isso aqui e mesmo sabendo de todos os perigos a que ela expunha as pessoas e o meio ambiente, não tomou precaução nenhuma, cuidado nenhum!!... e nem as autoridades "competentes" do Município ou do Estado se preocuparam em fiscalizar ou coisa parecida. Logo que a empresa começou funcionar já começaram os problemas para quem já morava no local! só que nós não sabíamos o que ela fabricava ali! A fumaça do incinerador, que descia ainda com brasas, sobre nossa casa, nós chamávamos de vagalumes vermelhos, a gente não sabia o que era!!! A fumaça branca, de um outro chaminé, com cheiro, ruim, pesado, que ardia os olhos, sufocava e fazia vomitar, que o vento trazia pelo lado direito da nossa casa, a gente não sabia que era veneno!!!! A GENTE NÃO SABIA NADA! Hoje a gente já sabe! e posso até fazer uma ligação entre o que meus filhos passaram e o que faziam no local!! Aquela fumaça, aqueles detritos era o que fazia mal pra gente!!!! A SHELL SABIA O QUE FAZIA, SEMPRE SOUBE!!! MAS NUNCA SE PREOCUPOU CONOSCO!! Nem quando soube que o tanque de decantação de veneno dela rachou e vazou para o lençol freático contaminando nossa água, que passou ter gosto e cheiro de remédio, de veneno, sei lá. Começamos sentir gosto e cheiro na água + ou - em 1986/87. As pessoas que nos visitavam sentiam mais. Depois de1990 o gosto e o cheiro pioraram, lembro que eu enchia a caixa d'água à noite para conseguir usar de manhã, pois na hora que ela subia do poço o cheiro era tão forte, que dava até ansia de vomito, não dava para beber. Pergunte por que eu continuava usando e eu respondo:- PORQUE NUNCA PENSEI QUE FOSSE POSSÍVEL A SHELL SE OMITIR E PERMITIR QUE SERES HUMANOS FOSSEM ENVENENADOS, COMO SE FOSSEM MENOS QUE AMEBAS!!!!!!! Eu confiava na Shell!!! Eu confiava no ser "HUMANO"(?)!!! eu não achava que era possível existir gente(?) que permitisse isso, conscientemente!!! e a shell era consciente do que fazia! ELA SABIA O QUE ERAM ORGANOGLORADOS, DRIN'S E ETC. QUE ELA MANIPULAVA E INCINERAVA LÁ!!!! EU NÃO!!!!! EU APENAS ERA FELIZ ALI, CONFIANDO E ACREDITANDO EM QUEM TINHA VINDO PARA TRAZER O "PROGRESSO"!!!!!!! Eu achava que se aquilo fizesse mal a Shell avisaria! Muitas pessoas chegaram me falar que aqueles produtos eram "acumulativos" ou cumulativos, sei lá, e iriam causar doenças futuramente, mas eu não me preocupava, eu confiava na Shell !!! Hoje, recordando tudo que karlzinho sofreu eu me revolto. Lembro que ele só dormia, por algumas horas, em cima da minha barriga, com a cabecinha entre meus seios, ouvindo as batidas do meu coração que acompanhavam a canção que eu cantava; lembro que cantava "Asa Branca" e por não saber a letra toda, boa parte ia no "larirarai" mesmo!! e eu chorava, feliz e cantando ao sentir que ele estava tranqüilo, dormindo no meu peito. Até poucos meses antes do Kaká nascer ele dormia em cima da minha barriga! Hoje, morando num hotel, sendo alvo de discriminações, humilhações e etc., tentamos sobreviver de cabeça erguida, pois até de oportunistas somos chamados! Acabaram com a nossa vida, com a nossa casa, com a nossa autonomia, com os nossos sonhos, anseios e planos... destruiram tudo que foi construído e vivido com amor e dedicação e ainda nos humilham!!!!! Tiraram nosso chão, roubaram nossa paz, arrebentaram nossos corações e ainda pisam nos cacos que ainda restaram!!! Com relação à nossa saúde (da minha família) a única coisa que posso dizer é que tem "alguma coisa errada" conosco, só que não posso dizer nada, não sou médica. A seqüencia dos tratamentos e exames, que foram pedidos pelos médicos do Hospital Albert Eintein para a Shell, não foram atendidos e a Prefeitura, ainda, não renovou o contrato com o Dr. Igor Vassilieff , toxicologista, contratado, por ela, para cuidar do "Caso Shell". Parece que está todo mundo saindo de fininho.

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