quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

 

madrugada...



minha casa 2005 e eu mamãe e karl 1978











O3/10/2005.

...é madrugada...confinada em um quarto de hotel revejo (relembro) minha vida! Como tudo é diferente do que plantei! Como é grande a distância entre o que sonhei, almejei e lutei para conseguir e o que estou vivendo agora!
Lembro, com o coração, quando, em dezembro de 1971, cheguei, para morar, aqui em Paulínia, na chácara, que tinha ficado abandonada alguns meses, do mesmo ano, desde que meu pai faleceu:- O cheiro do mato alto, das árvores, umas em flor, outras com frutos, perfumava tudo. Cheguei no paraíso, no meu paraíso!!
A casa fechada, há alguns meses, não estava terminada, mas era linda! Sólida! Fresca! Alta! Tinha, em cada tijolo, o amor do meu pai! ...e era minha (doce ilusão!)! Meu coração transbordava de amor, não cabia no peito de tanta felicidade! Eu estava realizando meu sonho de viver junto à natureza e na casa que meu pai tinha construído para mim!
Tudo a minha volta era vivo! Verde! Selvagem! Doce! Aconchegante! Acolhedor! Eu me sentia protegida de tudo e todos! Era o meu lugar, o meu canto! Era o meu ninho!
Muitos amigos me invejavam; muitos me condenavam dizendo que era fuga, que eu era covarde e estava fugindo da sociedade; outros, ao contrario, diziam que eu era corajosa , que precisava ter coragem para viver no meio do mato, longe de todo conforto que eu desfrutava na cidade e que covardia seria se eu procurasse uma realidade mais fácil, mais cômoda. ....mas eu escutava por um ouvido e deixava sair pelo outro...
Eu queria ser feliz e era! Eu queria viver (realizar) meu sonho e tinha conseguido!
Eu queria paz, sossego, silêncio, água e ar puros, frutas à vontade, queria ter minha horta, ter meus bichinhos, queria tomar banho pelada na chuva! Queria, ao amanhecer, sair no terreiro e vendo o sol surgir entre as folhas e galhos, cumprimentar as árvores, os passarinhos em festa e molhando os pés no orvalho, que a noite tinha deixado na grama, rir, sorrir e gritar- “Bom dia!”, de braços abertos para o céu, agradecendo a felicidade que eu tinha alcançado junto à natureza pura que me acariciava...
... eu queria isso!
... eu tinha tudo isso!
....e a Shell me tirou de lá...
ciomara

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